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terça-feira, 2 de setembro de 2014

Material para estudo - Arte, Cultura e Patrimônio Cultural

Como combinamos em aula, segue o material com o conteúdo deste bimestre.
Estudem para a Avaliação do 3º bimestre - 2014!!!!!

Clique nos links abaixo para visualizar o material para estudo. 
Para baixar clique em FAZER DOWNLOAD na barra superior da janela que se abrirá:

 


Não deixem de conferir as postagens abaixo que contêm vídeos sobre as culturas erudita, popular, de massa e indústria cultural. Aproveitem para responder aos dois quizes e testar seus conhecimentos sobre Arte, Cultura e Patrimônio Cultural

Abraços! ;) 

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Omar Victor Diop e Antoine Tempé - Fotógrafos

Na próxima semana trabalharemos fotografias inspiradas nas obras de Omar Victor Diop (Senegal) e Antoine Tempé (França), ambos são fotógrafos que trabalham com modelos negros/as e em alguns de seus ensaios fotográficos questionam o papel do negro na sociedade. Abaixo vocês poderão ler alguns textos para se familiarizarem com o estilo (não deixem de visitar os sites deles) e também ir amadurecendo as ideias para as nossas fotos. 

Aguardo vocês na próxima segunda-feira às 13h no colégio. Abraços!! ;)
Profº Raphael

Modelos protagonizam cenas clássicas do cinema americano em ensaio fotográfico
Inspirados em filmes americanos, o fotógrafo senagalês Omar Victor Diop e seu colega franco-americano Antoine Tempé produziram o ensaio fotográfico “Onomolliwood”, uma recriação de cenas clássicas de Hollywood em contexto africano. Eles montaram releituras de 18 produções, entre elas “Bonequinha de Luxo”, “Matrix”, “Thelma & Louise” e “Depois Daquele Beijo”. “Eu queria imaginar como seria se esses filmes fossem concebidos e rodados na África”, explica Diop.

A ideia de recorrer aos filmes surgiu pela necessidade de reunir, em um só trabalho, moda, estética e performance. “Nós pensamos que usando o cinema como um tema geral conseguiríamos atender aos nossos respectivos universos criativos”. Os fotógrafos pretendem, até o fim deste ano, reunir as produções em uma só exposição, ainda sem data e local marcados.

Foto: "Beleza Americana" - Omar Victor Diop

Intitulada de “Beleza Americana”, uma das imagens traz a bela modelo Ebony-brown Yao mergulhada em um mar de trepadeiras e outras plantas verdes, que substituem as pétalas de rosas da versão original. A recriação da provocativa cena do filme do diretor Sam Mendes surge agora adaptada à realidade do Senegal. Como o fotógrafo Diop não conseguiu reunir a quantidade necessária das flores, a solução foi recriar o cenário na parede de plantas do hotel onde as filmagens foram realizadas. Além do cenário, a rede de hotéis – Onomo Group International – deu origem ao nome do ensaio.

“O processo criativo da série em si é muito semelhante à maneira como ocorre a criação contemporânea africana”, afirma Diop. “Muitas vezes é necessário ajustar conceitos e estilos de todo o mundo e adaptá-los ao contexto local, preservando sua sensação original”, completa o fotógrafo. Com a mesma motivação, Diop e Tempé têm estilos diferentes. Enquanto as fotos de Tempé apresentam estética mais moderna, Diop prefere as texturas e o estilo típico dos anos 1960 e 1970.

Fonte: Portal Geledés

Sites dos Fotógrafos - Clique sobre os nomes abaixo para conhecer os trabalhos:

OMAR VICTOR DIOP

ANTOINE TEMPÉ

Omar Victor Diop - Fotografias









Antoine Tempé - Fotografia e dança


Antoine Tempé conta frequentemente que é a dança que o levou à fotografia, à África e ao retrato. Em Nova Iorque, cidade multicultural entre todas, ele mesmo dançarino, encontrou as suas primeiras companhias nos anos 1990. Viajou depois durante um ano no Oeste do continente negro. Desde o ano 2001, segue os maiores dançarinos contemporâneos africanos, aproximando-se sempre mais perto dos corpos e dos rostos, para sondar a força vital e esta energia tão específica que habita as suas fotografias.

Surpreendidos no meio do movimento, os dançarinos de Antoine Tempé oferecem o inapreensivel, estes momentos de graça invisíveis  ao olho nu, e que se revelam apenas quando nos os detemos. A corrida do tempo abolida pelo talento do fotógrafo, cada um revela-se na intimidade do estúdio, oferecendo ao olhar um movimento, uma expressão, ligeiramente dele ou dela em seu gesto. É efetivamente a África de hoje que se revela nesta série de retratos dançados. Como um abecedário das almas e dos corpos, num universo liberado dos estereótipos, mostra-se sob uma pespectiva resolutamente moderna e atual, sem, no entanto, esquecer as suas raízes. A dança, espelho da alma.

Contemporânea, a fotografia de Antoine Tempé sublima a realidade para captar os mais bonitos e os mais ínfimos acidentes. Inscreve-se também numa tradição pictural clássica. O Efeito muito sensual das matérias e o grafismo sabiamente equilibrado num quadro de formato quadrado permanecem para ele os melhores aliados, para oferecer-nos a emoção visual que provoca o encontro destes rostos, destas silhuetas, capturados ao segundo perto.



Biografia do artista
Nascido em 1960, Antoine Tempé instala-se em Nova Iorque em 1983 e inicia sua carreira de fotógrafo no início dos anos 1990.  Começa por cobrir as noites de Nova Iorque para diversas revistas europeias antes de fotografar os seus amigos dançarinos no seu estúdio. Este trabalho leva-o rapidamente a colaborar com companhias de dança afro-americanas.

Em 2000, embarca para uma viagem fotográfica de um ano na África do Oeste e Madagascar: é lá que descobre a dança africana contemporânea e que começa a sua série intitulada Bailarinos da África. Desde então, compartilha o seu tempo entre Paris, a África do Oeste, o Brasil e Nova Iorque, realizando através do mundo a cobertura de festivais de dança, animando ações de formação (oficinas de fotografia…), trabalhando para a imprensa internacional e continuando ao mesmo tempo a desenvolver os seus projetos pessoais.

Fonte: Rioscope

domingo, 21 de abril de 2013

José Medeiros - Fotografia

Biografia
José Araújo de Medeiros (Teresina PI 1921 - L'Aquila, Itália, 1990). Fotógrafo.


Da Amazônia ao Pantanal, José Medeiros, sempre mostrou preocupação com as manifestações culturais do homem interagindo com a natureza. Natural de Campo Grande – MS, desde os 16 anos se dedica ao registro de imagens, com formação em fotojornalismo. Publicou nos principais jornais e revistas nacionais e internacionais. Participou de mostras coletivas, individuais, prêmios e salões. José é um dos fotojornalistas mais bem sucedidos em MT, e referência estadual e nacional quando o assunto é fotografia, com o seu olhar diferenciado sempre em busca da perfeição.


 José Medeiros - Fotógrafo 

UM OLHAR SOBRE AS CULTURAS INDÍGENAS BRASILEIRAS
Medeiros se notabilizou pelo registro de várias facetas da vida brasileira. Foi ele, por exemplo, quem fez os primeiros registros de contatos com os índios realizados pelos irmãos Villas-Boas no Xingu e na Serra do Roncador. 


 Índio Xavante - Expedição Roncador (Xingu, Serra do Roncador MT) , 1949
matriz-negativo
Coleção Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro - Doação do autor

  Expedição Roncador, Xingú MT , 1949 - matriz-negativo
Coleção Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro - Doação do autor


 Primeiro Encontro Pacífico com a Tribo Kubenkrankein , 1957 - matriz-negativo
Coleção Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro - Doação do autor 

 
 Índio Kalapalo, Mato Grosso, c. de 1949
Instituto Moreira Salles

 Terra Indigena do Xingu-Aldeia Moygu-Povo Ikpeng.

Mutua Ikpeng quase pronto para festa Moyngo,
Terra Indígena Xingu Aldeia Moygu.

O NEGRO E A CULTURA AFRO-BRASILEIRA ATRAVÉS DA FOTOGRAFIA 
“Há alguns anos, tive a oportunidade de fotografar os rituais secretos de iniciação das filhas-de-santo, o que se fez pela primeira vez na história da imprensa brasileira.” 
José Medeiros
 
 Iniciação no Candomblé , 1957 - matriz-negativo
Coleção Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro - Doação do autor 





 

 
 

domingo, 26 de agosto de 2012

Cultura - Erudita, Popular e de Massas

O QUE É CULTURA? 

  • A cultura é fundamental para a compreensão de diversos valores morais e éticos que guiam nosso comportamento social.   Entender como estes valores se internalizaram em nós e como eles conduzem nossas emoções e a avaliação do outro, é um grande desafio.
  • Cultura é o conjunto de atividades e modos de agir, costumes e instruções de um povo. É o meio pelo qual o homem se adapta às condições de existência transformando a realidade.  
  • Cultura é um processo em permanente evolução, diverso e rico. É o desenvolvimento de um grupo social, uma nação, uma comunidade; fruto do esforço coletivo pelo aprimoramento de valores espirituais e materiais.  É o conjunto de fenômenos materiais e ideológicos que caracterizam um grupo étnico ou uma nação ( língua, costumes, rituais, culinária, vestuário, religião, etc ), estando em permanente processo de mudança.

CULTURA ERUDITA
  • A cultura erudita, pressupõe uma elaboração maior e por isso uma institucionalização do saber. Isto é: o domínio da cultura erudita passa não pela tradição familiar, mas por academias, bibliotecas, conservatórios musicais, etc, que selecionam o material e impõem regras rígidas e complexas elaborações. Bach, na música, e Ingres, na pintura, são exemplos disso.
  • Evidentemente, os conceitos popular e erudito escondem também uma valoração. Por muitos anos, a cultura popular foi considerada inferior à erudita; e erudito mesmo era aquilo que era europeu, de preferência francês, inglês ou alemão. 
  • Os produtores da chamada cultura erudita fazem parte de uma elite social, econômica, política e cultural e seu conhecimento é proveniente do pensamento científico, dos livros, das pesquisas universitárias ou do estudo em geral (erudito significa que tem instrução vasta e variada adquirida sobretudo pela leitura). A arte erudita e de vanguarda é produzida visando museus, críticos de arte, propostas revolucionárias ou grandes exposições, público e divulgação.
Cultura Erudita

CULTURA POPULAR

  • A cultura popular aparece associada ao povo, às classes excluídas socialmente, às classes dominadas. A cultura popular não está ligada ao conhecimento científico, pelo contrário, ela diz respeito ao conhecimento vulgar ou espontâneo, ao senso comum.
  • O mais importante na arte popular não é o objeto produzido, e sim o próprio artista, o homem do povo, do meio rural ou das periferias das grandes cidades. Por isso também a arte popular é sempre contemporânea a seu tempo.
  • O artista popular tira sua “inspiração” de acontecimentos locais rotineiros. A arte popular é regional.
  • É importante ressaltar que os produtores da cultura popular não têm consciência de que o que fazem têm um ou outro nome.
  • A cultura popular seria aquela que é produto de um saber não institucionalizado, que não se aprende em colégios ou academias; exemplo disso é o crochê, ou a culinária tradicional, ou ainda a literatura de cordel.
  • Uma manifestação típica da cultura popular brasileira (junto com a literatura de cordel) é a frase de parachoque de caminhão, que condensa muito da experiência e do saber popular. O bom humor do brasileiro, por décadas, foi literalmente "veiculado" nos parachoques de caminhão.
 
 Cultura Popular Brasileira

Cultura, Cultura Popular e Cultura Erudita


CULTURA DE MASSAS - INDÚSTRIA CULTURAL

  • A existência da Indústria Cultural e de uma nova cultura veiculada por esta, a cultura de massas, que não está vinculada a nenhum grupo específico e é transmitida de maneira industrializada para um público generalizado, interfere na existência de uma cultura erudita (da elite) e de uma cultura popular (do povo).
  • A Indústria Cultural é uma indústria que não fabrica produtos concretos, vende uma ideologia, vende visões do mundo, vende ideias, desejos. Feita para uma massa de pessoas, esses bens culturais são veiculados pelos meios de comunicação de massas, aí surge a cultura de massas (o produto da Indústria Cultural). A cultura de massas não é uma cultura que surge espontaneamente das próprias massas, mas uma cultura já pronta e fornecida por outro setor social (que controla a produção da Indústria Cultural), a classe dominante. Portanto, na vida em cidades (residência das massas) e com a Indústria Cultural a cultura passa a ser algo externo às pessoas, não mais de produção delas mesmas.
  • A cultura de massas funciona como uma ponte entre a cultura erudita e a cultura popular, mas uma ponte prejudicial, porque na verdade ela ignora totalmente as diferenças entre os produtores dessas duas culturas e se direciona para um público abstrato e homogêneo. São utilizados vários instrumentos para a massificação cultural, nos dias de hoje, a televisão, o rádio e a internet são os mais usados, mas podemos citar também os jornais, os livros, entre outros.
Indústria Cultural (Aula Motion)

Cultura de Massas pela massa

Cultura Popular X Cultura de Massas

domingo, 16 de janeiro de 2011

Exu não pode? Preconceito e discriminação no ambiente escolar.

E aê pessoas! Como estão? Curtindo bastante as férias, né?! Espero que sim. Boas férias!!!

Sei que ainda estamos de férias, mas trago um assunto que é de suma importância para todos: o preconceito sobre a cultura africana e afro-brasileira na escola. Abaixo deixo um texto que relata o caso de uma professora que foi afastada de suas funções por ter abordado este tema em sala de aula utilizando um livro com lendas africanas e acabou sendo vítima de discriminação. Infelizmente é o que vem acontecendo nas escolas do nosso país. Precisamos conhecer, respeitar e perceber a cultura africana como parcela importantíssima e fundamental para a formação da identidade brasileira. Estejamos aberto ao novo, ao diferente, a conhecer o que ignoramos, sem conceitos prévios. Afinal, não devemos dizer que não gostamos de jiló sem ao menos termos provado um. Construa seus conhecimentos e suas opiniões estando o máximo possível afastado de qualquer tipo de ações e pensamentos preconceituosos. É um exercício difícil, mas não impossível! Um abraço a todos e até breve!

Profº Raphael
Arte-educador

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Exu não pode??
Fonte: http://religiaoafro.ning.com

Para quem acha que no Brasil não existe racismo e que a Constituição Federal é respeitada no que se relaciona à liberdade de culto.

Para quem acredita que a Lei 10.639, que estabelece o ensino da História da África e da Cultura afrobrasileria nos sistemas de ensino, é acatada e cumprida.

Para quem crê que o Estado é laico e independente da influência e comando de qualquer religião, aqui vai a prova de que a repressão continua e que poderes religiosos paralelos mandam mais que as Leis estabelecidas.

É importante que se saiba que a professora punida por fazer cumprir a Lei está afastada de suas funções e impedida de ministrar aulas e que a diretora preconceituosa e ignorante da Lei continua nas suas funções, dirigindo a orientação de crianças que, como ela, se transformarão em adultos cheios de preconceitos e atitudes segregadoras.

Adilson Ifaleke Aráilé Obi



Exu não pode? – (Stela Guedes Caputo)

Recentemente um jornal carioca destacou o caso da professora proibida de usar o livro “Lendas de Exu” em uma escola municipal. A professora é umbandista e a diretora da escola é evangélica.

É cada vez mais comum que professores e alunos de candomblé ou umbanda sejam discriminados nas escolas.

A pergunta é: por que Jesus pode estar em um livro para o ensino religioso católico, destinado à rede pública, e Exu não pode?

Exu não entra na escola porque este país é racista, e o racismo está presente na escola.

Acredito também que estamos atravessando uma fase de avanço conservador na educação pública. A manutenção da oferta do ensino religioso na Constituição de 88, a aprovação deste como confessional no Rio, os livros didáticos católicos, a concordata Brasil-Vaticano, são vitórias silenciosas que ampliam e legitimam as circunstâncias necessárias para discriminações como essa.

A mãe-de-santo Beata de Yemanjá diz: “Pensam que o Brasil é uma coisa só e nos discriminam. Isso é racismo.”

Para o pesquisador Antonio Sérgio Guimarães, o racismo brasileiro é heterofóbico, a negação absoluta das diferenças implicando um ideal, explícito ou não, de homogeneidade (ou uma coisa só, como diz Beata).

Quando uma escola proíbe um livro de lendas africanas ela discrimina culturas afrodescendentes. Exu é negro. Um poderoso e imenso orixá negro. É o orixá mais próximo dos seres humanos porque representa a vontade, o desejo, a sexualidade e a dúvida. Porque estes sentimentos não são bem- vindos na escola? Porque a igreja católica tratou de associá-lo ao diabo e muitas escolas incorporam essa lógica conservadora, moralista e racista.

O Exu proibido afirma que este país tem negros com diferentes culturas que, se entendidas como modos de vida, podem incluir diferentes modos de ver, crer, sentir, entender e explicar a vida.

Positivo foi que muitos professores e professoras criticaram o ocorrido, o que mostra que também a escola não é “uma coisa só”. É nas suas tensões cotidianas que devemos lutar contra o racismo.

As culturas com suas religiões fazem parte da História da África. Como é que vai ser?

Pais e professores arrancarão as páginas desses livros?Ou eles já serão confeccionados mutilados pelo racimo?


Respondo com a saudação ao orixá excluído da escola: Laro oye Exu! Para que ele traga mais confusão e com ela, o movimento, a comunicação, a transformação onde reina.


STELA GUEDES CAPUTO é professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

quarta-feira, 31 de março de 2010

Arte e Cultura Indígena no Brasil

Historiadores afirmam que antes da chegada dos europeus à América havia aproximadamente 100 milhões de índios no continente. Só no Brasil, esse número chegava a 5 milhões de nativos, aproximadamente. Atualmente, calcula-se que apenas 400 mil índios ocupam o território brasileiro.

O primeiro contato entre índios e portugueses em 1500 foi de muita estranheza para ambas as partes. As duas culturas eram muito diferentes e pertenciam a mundos completamente distintos. Pero Vaz de Caminha relata a troca de sinais, presentes e informações. Quando os portugueses começam a explorar o pau-brasil das matas, começam a escravizar muitos indígenas e a utilizar o escambo. Davam espelhos, apitos, colares e chocalhos para os indígenas em troca de seu trabalho.

Os indígenas que habitavam o Brasil em 1500 viviam da caça, da pesca e da agricultura de milho, amendoim, feijão, abóbora, bata-doce e principalmente mandioca. Esta agricultura era praticada de forma bem rudimentar, pois utilizavam a técnica da coivara (derrubada de mata e queimada para limpar o solo para o plantio).

A organização social

Entre os indígenas não há classes sociais como a do homem branco. Todos têm os mesmo direitos e recebem o mesmo tratamento. A terra, por exemplo, pertence a todos e quando um índio caça, costuma dividir com os habitantes de sua tribo. Apenas os instrumentos de trabalho (machado, arcos, flechas, arpões) são de propriedade individual. O trabalho na tribo é realizado por todos, porém possui uma divisão por sexo e idade. As mulheres são responsáveis pela comida, crianças, colheita e plantio. Já os homens da tribo ficam encarregados do trabalho mais pesado: caça, pesca, guerra e derrubada das árvores.

A educação indígena é bem interessante. Os pequenos índios, conhecidos como curumins, aprender desde pequenos e de forma prática. Costumam observar o que os adultos fazem e vão treinando desde cedo. Quando o pai vai caçar, costuma levar o indiozinho junto para que este aprenda. Portanto, a educação indígena é bem prática e vinculada a realidade da vida da tribo indígena. Quando atinge os 13 anos, o jovem passa por um teste e uma cerimônia para ingressar na vida adulta.

As Crianças

Em geral, a vida das crianças indígenas (curumins) é bem diferente das nossas crianças.
Elas vivem muito integradas à natureza, participam das tradições de sua tribo. Aprendem muito observando os mais velhos em suas tarefas diárias.
Também se divertem muito. Tomar banho de rio é uma das diversões preferidas. Além disso, brincam de peteca, pião, jogos com sementes, dobraduras, bonecas.
Na maioria das aldeias, os pequenos índios também vão à escola.

Há momentos de contação de história, em que os mais velhos contam histórias para os curumins, há festas tradicionais em que as crianças participam e aprendem assim mais da própria cultura.
As crianças indígena são muito respeitadas, os adultos sabem e acreditam que elas estão sempre aprendendo.
Elas convivem com seus animais de estimação: cachorros, macacos, araras, quatis, papagaios.

Costumes

Os índios vivem principalmente da caça e da pesca. As tribos também plantam o milho, a mandioca e o fumo. Quando a caça faltava e a pesca se tornava insuficiente, os índios mudavam-se para outros lugares. Eram, portanto, nômades. Para a caça os índios usam o arco e a flecha. Pequenas setas são destinadas à caça miúda, como pássaros. Também sabem preparar armadilhas e imitam com perfeição as vozes dos animais, meio com que procuram atraí-los. Para a pesca os índios utilizam pequenas redes chamadas puçás, flechas, anzóis e plantas que atiram ao rio, como o timbó, e que atordoam os peixes, tornando-os presas mais fáceis e não fazem mal ao homem. De alguns grandes animais, como os tubarões e onças, extraem os dentes para fabricar pontas de flechas. Para obter o fogo os índios imprimiam, com a palma das mãos, um movimento de rotação a um pequeno pedaço de pau, cuja ponta se friccionava em outro, até formar uma chama que se comunicava a folhas secas.

Os adornos principais dos índios consistem em pintar o corpo com a tinta vermelha de urucum e azul do jenipapo; alguns furam as orelhas e os lábios, onde colocam pedaços de madeira ou botoques, nome que até serviu para denominar uma tribo, a dos botocudos.Também usam colares de contas, de dentes de animais ou de inimigos e enfeitam-se com penas de pássaros. Dos instrumentos musicais os índios conhecem o tambor, uma espécie de chocalho que é chamada de maracá, e a flauta de osso, denominada membi.

Os índios vivem em aldeias e, muitas vezes, são comandados por chefes, que são chamados de cacique ou morubixaba. A transmissão da chefia pode ser hereditária (de pai para filho) ou não. Os caciques devem conduzir a aldeia nas mudanças, na guerra, devem manter as tradições, determinar as atividades diárias e responsabilizar-se pelo contato com outras aldeias ou com os civilizados. Maior influência, porém, tem o pajé, o feiticeiro da tribo. Acreditam que ele possui poderes extraordinários: adivinhar o futuro, curar todas as doenças, transformar-se em qualquer animal e até tornar-se invisível.

Cada povo indígena tem sua tradição com relação à alimentação. Eles produzem sua própria comida, seja praticando agricultura para subsistência, em algumas tribos até vendem o excedente da sua plantação, seja por caça e pesca. O peixe, a banana, a mandioca e o milho são fontes de alimentação na maioria das tribos indígenas. Há tribos que consomem alimentos industrializados que compram com o dinheiro ganhado através do comércio de produtos típicos confeccionados nas aldeias e vendidos em feiras.

Fonte: