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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Máscaras e Recriações de obras do artista Rubem Valentim (801, 802, 901 e 902) - CECO

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sábado, 15 de outubro de 2011

ARTE AFRO-BRASILEIRA

8carybe O que é Arte Afro-brasileira? É a arte produzida pelos africanos trazidos ao Brasil, entre os séculos XVI e XIX, para serem escravizados? É a produção artística de seus descendentes, escravos ou livres, independentemente do tema? A identidade é determinada por quem faz, pela autoria? Ou é afro-brasileira toda arte na qual a negritude está representada, seja ela feita por africanos e afro-descendentes no Brasil, ou não? O fator determinante é a temática? Ou são afro-brasileiras apenas as obras em que autoria e tema estão vinculados aos africanos e seus descendentes no Brasil?
Entender Arte Afro-brasileira desse modo pressupõe essencialidades. Afro-brasilidade seria uma particularidade resultante da africanidade e brasilidade presente em obras produzidas por pessoas de origem africana e/ou em obras nas quais elas estão representadas. A Arte Afro-brasileira seria, assim, a produção decorrente da fusão de princípios, práticas e elementos da arte africana aos da brasileira, sendo ou uma interpretação brasileira da arte africana, candomble-carybeou da arte brasileira feita com jeito africano, ou, ainda, um artístico caminho do meio entre África e Brasil.
  • ARTE AFRO-BRASILEIRA E RELIGIOSIDADE
Nas diferentes regiões africanas de onde vieram as pessoas que foram escravizadas no Brasil, a arte participava da representação física e simbólica das práticas políticas e religiosas. No Brasil, a arte sacra africana acabou passando por grandes mudanças para sobreviver. As religiões afro-descendentes tem destacado papel na preservação dessa arte, sendo, ainda hoje, o elo mais forte com  as culturas africanas. A princípio proibidas, essas religiões foram por vezes toleradas pelos senhores de escravos, que visavam à manutenção de diferenças entre os negros provenientes das variadas regiões africanas e, assim, à distância, a desunião entre eles. 
  • AFRO-BRASILIDADE NA ARTE
imagesAlém das representações mais ou menos esporádicas da negritude elaboradas por artistas desde o modernismo, precisam ser destacadas as pesquisas artísticas dedicadas especialmente à conexão de princípios da modernidade ocidental a questões africanas e afro-descendentes no Brasil. Desde meados do século XX, os trabalhos de Carybé, Rubem Valentim, Mario Cravo Junior, Agnaldo dos Santos, Heitor dos Prazeres, Emanoel Araújo, Abdias do Nascimento, Ronaldo Rego, Jorge dos Anjos vem delineando uma produção artística singular, que é denominada em livros e exposições como Arte Afro-brasileira.
A partir de grupos artísticos ou culturais de determinadas cidades (sobretudo Salvador e, depois, Rio de Janeiro), em variados meios plásticos (técnicas), sintonizados com as mudanças artísticas nas passagens do modernismo à contemporaneidade, aqueles artistas exploram caminhos ora icônicos, ora abstratos, simbólicos ou estruturais, configurando modos diversos de abordagem de temas e motivos diversos, sobretudo religiosos, mas para além da dimensão folclórica.
Alguns outros artistas da Arte Afro-brasileira contemporânea:


  • Alexandre Vogler: “Fumacê do descarrego”, intervenção urbana, 2007.
  • Antônio Dias: “Gigante dormindo e cachorro latindo”, objeto/assemblage, 2002.
  • Antonio Manoel: “Bode”, performance, 1973; “O galo”, performance, 1972.
  • Artur Barrio: “Máscaras”, 1974.
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  • Ayrson Heráclito: “Odé no Epô”, fotografia, 2007.
  • Chico Tabibuia: “Exus”, escultura em madeira, 1995.
  • Cildo Meireles: “Tiradentes: totem-monumento ao preso político”, 1970; “Black Pente”, 1972.
  • Heitor dos Prazeres: “Ritual de Umbanda”, pintura, 1965.
  • Hélio Oiticica: “Parangolés” (inspirados nas vestimentas africanas de Babá-Egun).
  • Leandro Machado: “Lojas Africanas”, 2003.
  • Lygia Pape: “Tteia”, instalação composta por fios dourados e prateados, 1976.
  • Mario Cravo Neto: “Laroyé”, 2001.
  • Mestre Didi: “Opa n’ilé – cetro da terra”, escultura, 1997.
  • Pierre Verger: Fotografias.
  • Rodrigo Cardoso: “Invocações”, 2003; “Iemanjá posto 6”, 2006.
  • Ronald Duarte: “Nimbo/Oxalá”, performance, 2004.
  • Rosana Paulino: “Parede de memória”, 1994.
  • Rubem Valentim: “Templo de Oxalá e relevos emblemáticos”, 1977. “Painel emblemático”, 1977.
  • Sebastião Salgado: Fotografias.
  • Tatti Moreno: “Orixás”, esculturas em resina (Dique do Tororó, Salvador – Bahia).



       Fonte: CONDURU, Roberto. Arte Afro-brasileira. BH: C/Arte, 2007. (Coleção Didática).

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Exposição África Ancestral e Contemporânea – As Artes de Benin

Hoje visitei com algumas amigas, também professoras de Arte, a exposição "África Ancestral e Contemporânea - As Artes de Benin", no Centro de Arte Hélio Oiticica no Centro do Rio de Janeiro. Um ótimo acervo sobre a cultura do Benin. Passamos uma ótima tarde com uma visita guiada à exposição onde podemos conhecer um pouco mais sobre essa cultura tão importante para a formação da cultura brasileira. Vale a pena conferir!!! Recomendo!!!

"A África costuma ser lembrada como um continente pobre em que a fome, conflitos e doenças imperam. Mas, a África não é só isso! Ano passado tivemos a oportunidade de conhecer um pouco da África do Sul, mas o continente africano é muito rico culturalmente. Quem quiser conhecer um pouco da arte produzida em Benin, país que na época da Pangéia era grudado no nordeste brasileiro, pode ir visitar a exposição “África Ancestral e Contemporânea – As Artes de Benin” que está no Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica.
A mostra reúne trabalhos de 9 artistas internacionalmente reconhecidos do país africano que tem profundos laços ancestrais.
A exposição se compõe de pinturas, esculturas, trajes africanos, elementos do culto Geledé, além de produções artísticas contemporâneas com materiais alternativos, assemblages, instalações, fotografias e vídeo sobre o Benin.

A entrada é gratuita e você poderá conferir até 04 de setembro.

Exposição África Ancestral e Contemporânea – As Artes de Benin
Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica -Rua Luis de Camões, 68 – Centro (Próx. à Praça Tiradentes - Centro - RJ) - Tels: (21) 2232-4213 / 2232-2213. E-mail: caho@rio.rj.gov.br Até 04 de setembro Entrada Gratuita"
Texto: http://blahcultural.blogspot.com/2011/07/africa-ancestral-e-contemporanea-as.html



O Benin Está vivo Ainda Lá ou
Uma Viagem Sentimental às Antigas Terras de Daomé*
“Ó Benin, por tantas vezes sonhado, por tantas vezes imaginado vivendo preciosos momentos saudosos pelos Eguns de Porto Novo que vieram dançar só para nós! Quanta honra! Nesse encontro com essas divindades ancestrais conduzidas pelos velhos ogés do culto religioso, que dançavam ao som de muitos atabaques e tambores rufando, repetindo as falas de boas-vindas aos grupos.
(...) Nos planos dessa exposição incluímos ainda o fotógrafo Charles Placide; um barrista, Euloge Glèlè, um escultor de máscaras tradicionais Gèlèdes, Kifouli Dossou; um criador de roupas rituais dos Eguns e dos Gèlèdès, Pascal Adjinakou; o pintor de placas de propaganda, estabelecido em Cotonou, Lambustagor , e ainda o famoso Alphonse Yemadje, patriarca de uma família de criadores de apliques da história dos Reis Abomè, e a oficina de costura e bordado de Abdoul-Ramane. Esperamos ter feito um quase completo panorama da arte, do sagrado e do cotidiano do Benin. Estamos certos de termos fortalecidos os seus profundos laços de fraternidade com as antigas terras de Daomé, para além da história, da memória e da ancestralidade de uma viagem de descobertas para reafirmar que o Benin está vivo ainda lá e aqui ainda permanecem as suas ancestrais raízes.”
Emanoel Araujo
Curador


Trata-se de uma clara mostra da formidável potencialidade de um dos povos mais criativos da África – e que é, também, um dos berços fundamentais de todos nós, brasileiros. Uma das mais vigorosas raízes da nossa origem, da nossa identidade. De Benin vieram, escravizados, os homens e mulheres que deram vida e impulso para a economia do Brasil em seus tempos de colônia portuguesa desde o século XVI. Foram eles os responsáveis por boa parte da riqueza produzida no Brasil, nos tempos do açúcar e do ouro.
O Benin, terra da arte e da criatividade, raiz de todos nós, foi mostrado ao Brasil pela primeira vez por um antropólogo e fotógrafo estrangeiro de nascimento, brasileiro e africano de alma: Pierre Verger. E foi e é também a terra para onde regressaram muitos brasileiros depois da abolição da escravatura, os Agudas, que até hoje mantêm, lá, hábitos e costumes que seus antepassados levaram daqui nesse retorno. Passados os séculos, esta exposição retoma a vida e a arte do Benin, mostrando seus artistas mais representativos da atualidade, mas sem esquecer a tradição, o cotidiano da vida e da cultura daquele pedaço da África tão próximo de nós.

* Trecho extraído do catálogo O Benin Está vivo Ainda Lá ou Uma Viagem Sentimental às Antigas Terras de Daomé, Imprensa Oficial, São Paulo, 2007. (http://www.museuafrobrasil.org.br/conteudos/pgpadrao.asp?MTI6MjY6MDN8MTIw)

Fotos Pierre Verger: http://www.pierreverger.org/fpv/index.php?option=com_frontpage&Itemid=1

domingo, 16 de janeiro de 2011

Exu não pode? Preconceito e discriminação no ambiente escolar.

E aê pessoas! Como estão? Curtindo bastante as férias, né?! Espero que sim. Boas férias!!!

Sei que ainda estamos de férias, mas trago um assunto que é de suma importância para todos: o preconceito sobre a cultura africana e afro-brasileira na escola. Abaixo deixo um texto que relata o caso de uma professora que foi afastada de suas funções por ter abordado este tema em sala de aula utilizando um livro com lendas africanas e acabou sendo vítima de discriminação. Infelizmente é o que vem acontecendo nas escolas do nosso país. Precisamos conhecer, respeitar e perceber a cultura africana como parcela importantíssima e fundamental para a formação da identidade brasileira. Estejamos aberto ao novo, ao diferente, a conhecer o que ignoramos, sem conceitos prévios. Afinal, não devemos dizer que não gostamos de jiló sem ao menos termos provado um. Construa seus conhecimentos e suas opiniões estando o máximo possível afastado de qualquer tipo de ações e pensamentos preconceituosos. É um exercício difícil, mas não impossível! Um abraço a todos e até breve!

Profº Raphael
Arte-educador

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Exu não pode??
Fonte: http://religiaoafro.ning.com

Para quem acha que no Brasil não existe racismo e que a Constituição Federal é respeitada no que se relaciona à liberdade de culto.

Para quem acredita que a Lei 10.639, que estabelece o ensino da História da África e da Cultura afrobrasileria nos sistemas de ensino, é acatada e cumprida.

Para quem crê que o Estado é laico e independente da influência e comando de qualquer religião, aqui vai a prova de que a repressão continua e que poderes religiosos paralelos mandam mais que as Leis estabelecidas.

É importante que se saiba que a professora punida por fazer cumprir a Lei está afastada de suas funções e impedida de ministrar aulas e que a diretora preconceituosa e ignorante da Lei continua nas suas funções, dirigindo a orientação de crianças que, como ela, se transformarão em adultos cheios de preconceitos e atitudes segregadoras.

Adilson Ifaleke Aráilé Obi



Exu não pode? – (Stela Guedes Caputo)

Recentemente um jornal carioca destacou o caso da professora proibida de usar o livro “Lendas de Exu” em uma escola municipal. A professora é umbandista e a diretora da escola é evangélica.

É cada vez mais comum que professores e alunos de candomblé ou umbanda sejam discriminados nas escolas.

A pergunta é: por que Jesus pode estar em um livro para o ensino religioso católico, destinado à rede pública, e Exu não pode?

Exu não entra na escola porque este país é racista, e o racismo está presente na escola.

Acredito também que estamos atravessando uma fase de avanço conservador na educação pública. A manutenção da oferta do ensino religioso na Constituição de 88, a aprovação deste como confessional no Rio, os livros didáticos católicos, a concordata Brasil-Vaticano, são vitórias silenciosas que ampliam e legitimam as circunstâncias necessárias para discriminações como essa.

A mãe-de-santo Beata de Yemanjá diz: “Pensam que o Brasil é uma coisa só e nos discriminam. Isso é racismo.”

Para o pesquisador Antonio Sérgio Guimarães, o racismo brasileiro é heterofóbico, a negação absoluta das diferenças implicando um ideal, explícito ou não, de homogeneidade (ou uma coisa só, como diz Beata).

Quando uma escola proíbe um livro de lendas africanas ela discrimina culturas afrodescendentes. Exu é negro. Um poderoso e imenso orixá negro. É o orixá mais próximo dos seres humanos porque representa a vontade, o desejo, a sexualidade e a dúvida. Porque estes sentimentos não são bem- vindos na escola? Porque a igreja católica tratou de associá-lo ao diabo e muitas escolas incorporam essa lógica conservadora, moralista e racista.

O Exu proibido afirma que este país tem negros com diferentes culturas que, se entendidas como modos de vida, podem incluir diferentes modos de ver, crer, sentir, entender e explicar a vida.

Positivo foi que muitos professores e professoras criticaram o ocorrido, o que mostra que também a escola não é “uma coisa só”. É nas suas tensões cotidianas que devemos lutar contra o racismo.

As culturas com suas religiões fazem parte da História da África. Como é que vai ser?

Pais e professores arrancarão as páginas desses livros?Ou eles já serão confeccionados mutilados pelo racimo?


Respondo com a saudação ao orixá excluído da escola: Laro oye Exu! Para que ele traga mais confusão e com ela, o movimento, a comunicação, a transformação onde reina.


STELA GUEDES CAPUTO é professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).